Atenção com controle de pombos previne doenças, ensina Zoonoses

A presença de pombos em ambientes urbanos traz algumas ameaças à saúde do ser humano. Quanto maior é a proliferação da espécie próxima ao homem, maiores são os riscos de contaminação. Criptococose, histoplasmose e clamidiose são exemplos de doenças transmitidas por meio da inalação de poeira que resulta das fezes secas de pombos se elas estiverem contaminadas por fungos do tipo histoplasmose e criptococose ou da bactéria clamidiose. Tratam-se de doenças que comprometem o aparelho respiratório e, no caso da criptococose, afetar o sistema nervoso central.


Há também a salmonelose, que compromete o aparelho digestivo. Ela pode ser transmitida pela ingestão de alimentos contaminados por fezes de pombos contendo a bactéria Salmonela spp. Ácaros de pombos provenientes de aves e ninhos são outros problemas, pois, em contato com a pele humano podem causar dermatites.


De forma indireta a ave também leva à toxoplasmose, transmitida pela ingestão de sua carne mal passada, caso possua o parasita. O gato é o disseminador do parasita no ambiente: ele elimina o protozoário causador da toxoplasmose pelas suas fezes, contaminando o solo e as plantas. Aves e mamíferos, ao se alimentarem no solo contaminado, podem ingerir a forma infectante do parasita, que se fixa em sua musculatura.


A transmissão da toxoplasmose também pode ocorrer com o consumo de carne crua ou mal passada de qualquer ave ou mamífero infectado com cistos de toxoplasma sp ou com a ingestão de verduras contaminadas com as fezes de gatos infectados e que não tenham sido bem lavadas. A má higienização das mãos após lidar com areia e terra também pode levar à contaminação.


Por isso o Departamento Técnico de Controle de Zoonoses (DTCZ), ligado à Vigilância em Saúde de Barueri, ressalta a importância de haver um controle de pombos, indicando medidas para que haja maior prevenção contra essas doenças.


Entenda

Embora presentes no mundo todo (exceto nas regiões polares), pombos são aves de origem europeia. Essas aves abrigam-se e constroem seus ninhos em locais altos, como prédios, torres de igreja, forros de casas e beirais de janelas. Formam casais para a vida toda e possuem grande capacidade de voo. A espécie pode viver de três a cinco anos em centros urbanos e até por 15 anos em condições de vida silvestre. A fêmea põe de um a dois ovos, incubados por um período de 17 a 19 dias. No clima brasileiro e em boas condições de abrigo e alimento, podem ter de quatro a seis ninhadas por ano.


Os pombos se alimentam preferencialmente de grãos e sementes, mas podem reaproveitar restos de alimentos. Quando na natureza, comem também insetos, vermes, frutos e sementes de árvores e plantas. A alimentação ativa (fornecida por pessoas) acarreta considerável aumento dessa população.


“O papel das aves é muito importante na natureza e os pombos não são exceção. Eles realizam o controle de insetos e replantam as sementes por meio de plantas das quais se alimentam. Quando o ser humano interfere ofertando alimentos a essas aves, elas deixam de buscar na natureza e também de consumir o que é mais adequado para sua dieta. Isso tudo influencia muito na reprodução dos pombos. Onde há maior oferta de alimentos há um aumento na reprodução deles, mas quando não há essa oferta, eles são obrigados a buscar naturalmente e sua reprodução mantém-se em equilíbrio”, ressalta a coordenadora de Vigilância em Saúde de Barueri, Rosana Perri Andrade Ambrogini.


Medidas preventivas 

Dentre as medidas preventivas indicadas pelos especialistas há controle da alimentação, controle da contaminação ambiental e controle dos abrigos.


Controle da alimentação 

- Não alimentar os pombos para que eles tenham sua função na natureza e sua população permaneça controlada; 

- Recolher sobras de alimentos de animais domésticos, aves de gaiola e criações, para não atrair pombos, ratos e baratas; 

- Não alimentar os pombos em casa, em praças, parques e outros locais. O hábito de fornecer alimentos para pombos acarreta desequilíbrio populacional com proliferação excessiva dessas aves, desencadeando problemas para o meio ambiente e afetando a qualidade de vida das pessoas. 


Controle da contaminação ambiental

- Ao realizar limpezas em locais onde pombos habitam ou habitavam, proteger o nariz e a boca com máscara ou pano úmido e utilizar luvas quando for fazer a limpeza de locais onde estejam acumuladas fezes e ninhos de pombos; 

- Antes e depois da limpeza: umedecer bem as fezes com solução desinfetante à base de cloro (água sanitária diluída em água, em partes iguais) ou quaternário de amônia (diluídos em água em partes iguais);

- Impedir o acesso e entrada das aves em construções, fechando os locais com tela ou alvenaria após a desinfecção e limpeza do local;

- Proteger alimentos e água do acesso das aves e suas fezes. 


Controle de abrigos

- Instalação de tela ou alvenaria nos vãos dos telhados para impedir a entrada de pombos;

- Esticar fio de nylon ou arame nos locais de pouso, como beirais, muros, floreiras, numa altura de 10 cm do local de pouso. Se o beiral for largo, esticar outros fios a cada 3 cm; 

- Utilizar objetos pontiagudos (espículas metálicas ou plásticas) para evitar que as aves pousem ou façam ninhos; 

- Aplicar substâncias pegajosas (gel repelente) em camada fina para que o pombo evite o local; 

- Modificar a superfície de apoio das aves para que fique com inclinação de mais de 60 graus; 

- Empregar objetos brilhantes e com movimento, como festão de natal, bandeirolas, móbiles de CD e manequins de predadores (gavião, coruja), pois assustam as aves e as afastam do local por algum tempo; 

- Usar produtos com odores fortes, como creolina, naftalina ou formalina, já que também afastam as aves por algum tempo.


Dúvidas?

Caso haja mais dúvidas com relação ao controle de pombos, basta telefonar para o Departamento Técnico de Controle de Zoonoses de Barueri: (11) 4198-5679.




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